A médica Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde, afirmou que o episódio não representa o início de uma nova pandemia global.
Segundo ela, o comportamento do hantavírus é diferente de doenças altamente contagiosas como covid-19, influenza ou sarampo. A transmissão da cepa andina pode ocorrer entre pessoas, mas apenas em situações específicas de proximidade intensa, especialmente em ambientes fechados.
O MV Hondius se tornou alvo de monitoramento internacional porque passageiros dividiram cabines, áreas de alimentação e espaços coletivos durante semanas em uma embarcação de circulação restrita.
O hantavírus normalmente é transmitido por roedores infectados. O contágio acontece principalmente quando pessoas respiram partículas contaminadas presentes na urina, saliva ou fezes desses animais.
Segundo autoridades sanitárias, o navio visitou regiões selvagens e áreas remotas da América do Sul, aumentando a possibilidade de exposição inicial ao vírus ainda durante as escalas em território argentino ou chileno.
A cepa andina identificada no surto é considerada rara porque, diferentemente de outros hantavírus conhecidos, possui histórico documentado de transmissão entre humanos.
Os sintomas iniciais podem parecer semelhantes aos de uma gripe forte. Entre os sinais mais comuns estão febre, dores musculares, cansaço intenso e mal-estar.
Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para problemas respiratórios severos, além de dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreia.
Segundo especialistas, a velocidade do diagnóstico pode influenciar diretamente as chances de sobrevivência, especialmente nos casos associados à cepa andina.
As autoridades de saúde recomendam procurar atendimento imediato em caso de febre e dificuldade respiratória após exposição em áreas rurais ou silvestres.
O rastreamento de contatos envolvendo passageiros do MV Hondius mobilizou autoridades sanitárias internacionais. Pessoas que estiveram no navio, em hospitais ou em voos ligados ao grupo estão sendo acompanhadas preventivamente.
No Reino Unido, alguns passageiros entraram em isolamento voluntário por até 45 dias. Nos Estados Unidos, autoridades da Geórgia e do Arizona confirmaram monitoramento de passageiros desembarcados.
Segundo a Oceanwide Expeditions, nenhum passageiro que permaneceu no navio apresentava sintomas ativos após a limpeza profunda da embarcação e o isolamento dos ocupantes.
A cepa andina circula principalmente no Chile e na Argentina. O Ministério da Saúde chileno mantém alerta epidemiológico ativo desde janeiro de 2026.
Até 6 de maio, o Chile registrava 39 casos confirmados de hantavírus e 13 mortes, índice de mortalidade próximo de 33%.
As regiões mais afetadas incluem Santiago, Maule, Ñuble, Biobío, Los Lagos e Aysén. Segundo autoridades chilenas, o rato-de-cauda-longa é o principal reservatório natural do vírus na região.
Segundo a Bbc, o último caso documentado de transmissão entre humanos no Chile havia ocorrido em 2019, em um episódio descrito pelas autoridades como localizado e controlado. Enquanto isso, o MV Hondius segue navegando em direção às ilhas Canárias após permanecer ancorado por três dias em Cabo Verde.