O Bahia encerrou na noite desta quarta-feira mais uma tentativa frustrada de reação na temporada. Derrotado por 2 a 1 pelo Remo no Mangueirão, o Tricolor voltou a apresentar dificuldades para transformar volume ofensivo em resultado e caiu na quinta fase da Copa do Brasil diante de um adversário que soube aproveitar os erros defensivos e a instabilidade emocional da equipe baiana.
A partida carregava um peso ainda maior porque o Bahia precisava reverter a vantagem construída pelo Remo no jogo de ida, na Arena Fonte Nova. Rogério Ceni decidiu mexer na estrutura do time, alterou posicionamentos e tentou criar um desenho mais agressivo para pressionar o adversário desde o início. O plano até produziu oportunidades, mas não resolveu o principal problema da equipe em 2026: a baixa efetividade.
Um dos jogadores mais impactados pelas alterações foi Luciano Juba. Destaque do Bahia na temporada, o lateral passou a atuar mais preso na construção defensiva, formando uma linha de três em diversos momentos da partida. A mudança reduziu a participação ofensiva do jogador, conhecido justamente pela capacidade de chegar ao ataque e criar jogadas pelos lados.
“Os gols que ele faz na maioria são de bola parada. A opção por Juba na construção foi para ter qualidade na saída de jogo”, explicou Rogério Ceni após a eliminação.
O treinador afirmou que a ideia era fortalecer o setor defensivo pelo lado direito e neutralizar a velocidade do ataque do Remo. Para isso, Marcos Victor recebeu função mais direta na marcação, enquanto Juba ficava responsável pela saída de bola pela esquerda.
Mesmo com maior posse e volume ofensivo, o Bahia voltou a esbarrar em problemas conhecidos. O time teve três gols anulados, acertou a trave e ainda parou em boas defesas de Marcelo Rangel. Do outro lado, o Remo foi mais objetivo e aproveitou uma jogada aguda no segundo tempo para definir a classificação com Leonel Picco.
Durante a entrevista coletiva, Rogério Ceni voltou a reclamar da arbitragem e disse que o Bahia produziu o suficiente para sair classificado do Mangueirão. Ainda assim, reconheceu que a equipe falhou nas conclusões.
“A gente precisa de muita força para fazer gols no adversário, e eles não precisam disso para fazer gol na gente”, afirmou o treinador.
O técnico também citou a pressão emocional vivida pelo elenco nas últimas semanas. A eliminação amplia o ambiente turbulento no clube e deixa o Bahia sem competições eliminatórias até o fim da temporada. Resta apenas a disputa do Campeonato Brasileiro, cenário que aumenta a cobrança por desempenho e resultados imediatos.
A derrota para o Remo aprofundou a sensação de desperdício dentro do clube. O Bahia investiu alto para 2026, mas acumula eliminações e atuações instáveis em momentos decisivos. Nas arquibancadas e nas redes sociais, as críticas aumentaram principalmente contra Rogério Ceni e alguns jogadores do setor ofensivo.
Jean Lucas foi um dos nomes comentados após a partida. O treinador admitiu que o meio-campista não teve boa atuação, embora tenha reforçado que ainda considera o jogador importante para o elenco.
Ceni também justificou a entrada de Caio Suassuna durante a partida. Segundo ele, a escolha ocorreu pela característica aérea do atacante, em um momento em que o Bahia apostava em cruzamentos laterais para pressionar o Remo dentro da área.
Apesar do cenário de pressão, Rogério Ceni afirmou que o elenco precisa reagir rapidamente para evitar que a eliminação provoque um colapso ainda maior na sequência do ano. O treinador pediu mais concentração, treinamento e aproveitamento das oportunidades criadas.
“Não podemos desistir. É um momento que merece reflexão, treinar mais, caprichar mais”, declarou.
Segundo o Ge, a eliminação também trouxe impacto financeiro relevante. O próprio treinador reconheceu que a saída precoce da Copa do Brasil representa prejuízo difícil de recuperar até dezembro. Sem torneios de mata-mata e distante do ambiente de estabilidade esperado no início do ano, o Bahia passa a concentrar toda a pressão sobre a campanha no Campeonato Brasileiro, com a missão de tentar voltar à Libertadores pelo terceiro ano consecutivo.
Foto: Letícia Martins / EC Bahia.