O Carnaval aumenta o risco de fugas, desidratação e crises de medo em cães e gatos com o avanço do barulho, do calor e do entra-e-sai nas casas. Nas cidades, a folia costuma empurrar os pets para um cenário que eles não escolheram: ruas lotadas, som alto, rotina quebrada e portões abrindo mais do que o normal — e é aí que o tutor descobre, na prática, que o feriado pode ser um teste de segurança.
O que muda, primeiro, é o clima dentro de casa. O animal percebe a agitação antes de qualquer pessoa: mala no quarto, visita chegando, gente falando mais alto, cheiro de comida diferente, música. Para quem convive com um cão que “some” embaixo da cama ou um gato que vira sombra quando o barulho cresce, o roteiro é conhecido: tremor, ofegância, pupila dilatada, tentativa de se esconder, miado insistente, latido que não para, recusa de água e comida. Não é drama; é resposta de estresse. E estresse, quando se soma ao calor e ao susto, vira porta de entrada para acidente.
A explosão de ruído do Carnaval não vem só de fogos. Ela vem de caixas de som na rua, vizinho “testando” volume, bloco passando perto, porta batendo, gente rindo, criança correndo. Para muitos pets, o pior é a imprevisibilidade: o som aparece sem aviso e some sem aviso. A orientação mais eficaz costuma ser simples e pouco glamourosa: fechar a casa e oferecer previsibilidade. Um cômodo mais interno, com caminha, água e brinquedos, funciona como refúgio. Um som constante e baixo — TV ligada, ventilador, música leve — ajuda a “alisar” os picos do barulho. E tem um ponto que muita gente erra por boa intenção: forçar o animal a “encarar” a festa costuma aumentar o medo, não reduzir.
Pet com medo não “faz charme”. Ele tenta sobreviver do jeito que consegue.
No Carnaval, o calor costuma ser aquele que gruda na pele e derruba o corpo. Em cães e gatos, o limite chega mais rápido — e alguns grupos sofrem mais, como filhotes, idosos e raças de focinho curto. O tutor percebe quando o animal começa a buscar chão frio, deitar esticado, beber pouca água e ofegar mais do que o normal. A regra é manter água fresca disponível o tempo todo, oferecer sombra e ventilação e evitar ambientes abafados, especialmente áreas de serviço e quartos fechados. Em dias de calor forte, o conforto térmico deixa de ser “mimo” e passa a ser prevenção básica.
A rua também muda durante o feriado. Além de mais gente e mais estímulo, há o asfalto e a calçada queimando. O teste é direto: encoste o dorso da mão no chão por alguns segundos; se estiver quente para você, está demais para as patas do pet. O caminho mais seguro é passear cedo ou à noite e preferir sombra e áreas com grama. Se o animal começar a puxar para voltar, mancar, levantar as patas alternando ou tentar subir no colo, não é “manha”: é desconforto real, e insistir pode virar queimadura.
O Carnaval é a temporada do portão aberto “só um pouquinho”. O barulho assusta, a casa fica movimentada, visitas entram e saem, e o animal aproveita uma brecha mínima. Cães em pânico podem arrebentar tela, forçar grade, pular o que normalmente não pulam. Gatos se esgueiram por frestas que parecem impossíveis. O cuidado aqui é quase militar: combinar com todo mundo da casa que porta e portão não ficam “no automático”, revisar trincos, telas e fechamentos e orientar visitas antes de abrir.
Mesmo com prevenção, imprevisto acontece. E, quando acontece, a identificação é o que encurta o desespero. Uma plaquinha com telefone legível e atualizado ajuda a acelerar o retorno. Microchip, quando disponível e com cadastro correto, aumenta a chance de reencontro. Em feriados, a correria atrapalha: quem acha o animal nem sempre consegue “investigar” muito. Se a informação está ali, o caminho fica mais curto.
Em casa cheia, o chão vira campo de perigo: resto de comida, espetinho, osso, chocolate, bebida alcoólica, gordura. O tutor se distrai conversando, o pet fareja, engole rápido. As consequências variam de vômito e diarreia até intoxicação. A saída é preventiva: lixo fechado, mesa sem “beliscos” para o animal, orientação clara para visitas e um olho no que cai no chão. No Carnaval, a regra é chata — e por isso funciona: pet não “participa” do cardápio humano.
O que segura a saúde emocional do pet, quase sempre, é previsibilidade. Manter horários de alimentação, pausas e descanso reduz ansiedade. Um tutor que não transforma o feriado em “evento” dentro de casa oferece ao animal uma referência: apesar do barulho lá fora, aqui dentro as coisas seguem de um jeito conhecido. Para muitos cães e gatos, isso basta para evitar escalada de estresse. E, quando não basta, é sinal de que o caso merece atenção profissional, sem improviso.