Uma tentativa de fraude em um dos concursos mais disputados de Goiás terminou com dois presos, eliminação imediata da seleção e apreensão de um celular escondido atrás de um vaso sanitário. O caso aconteceu durante a aplicação da prova para auditor fiscal da Receita Estadual, em Goiânia, e envolveu o uso de WhatsApp, detector de eletrônicos e consultas feitas ao ChatGPT para responder questões do exame.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil e confirmadas pela Fundação Carlos Chagas, organizadora do certame, um candidato de 28 anos utilizava um aparelho celular escondido dentro do banheiro do local de prova para fotografar perguntas da avaliação. As imagens eram enviadas à esposa, de 24 anos, que estava em Jaraguá, no interior de Goiás.
Ela utilizava ferramentas de inteligência artificial para pesquisar respostas e reenviava os conteúdos ao marido por mensagens no WhatsApp. O concurso oferece salário inicial de R$ 28,5 mil, além de 50 vagas imediatas e 25 oportunidades em cadastro reserva. Mais de 23,5 mil candidatos participaram da seleção.
A movimentação começou a levantar suspeitas durante o segundo turno da prova. Fiscais perceberam que o candidato deixava a sala repetidamente e permanecia por longos períodos no banheiro masculino. Durante uma vistoria com detector eletrônico, um celular foi localizado escondido atrás de um vaso sanitário, preso com fita dupla face.
O banheiro foi isolado e candidatos que haviam utilizado o espaço passaram a ser monitorados. Segundo os relatos obtidos pela investigação, o homem escondia o caderno de questões dentro da roupa antes de sair da sala e deixava apenas o cartão-resposta sobre a carteira para reduzir suspeitas dos fiscais.
Durante a abordagem, policiais encontraram na mochila do suspeito uma capinha compatível com o aparelho apreendido no banheiro. Ainda no local da prova, ele admitiu participação no esquema.
As investigações apontaram que a esposa recebia as imagens das questões enquanto estava em Jaraguá. A Polícia Civil interceptou a mulher na Rodoviária de Anápolis, no momento em que ela desembarcava de ônibus.
Em depoimento, ela confirmou participação no plano e entregou voluntariamente a senha do celular utilizado nas conversas. Segundo os investigadores, o casal havia planejado previamente toda a dinâmica da fraude, incluindo o local onde o aparelho seria escondido e a forma de envio das perguntas durante a aplicação da prova.
A Polícia Civil afirma que os dois confessaram participação no esquema e relataram dificuldades financeiras como motivação para a tentativa de fraude.
O candidato e a esposa foram autuados pelo crime de fraude em concurso público. A fiança inicial do homem havia sido fixada em três salários mínimos, equivalente a R$ 4.863, mas acabou reduzida para R$ 1.621 após análise da condição financeira apresentada. Para a mulher também foi arbitrada fiança de um salário mínimo. Após o pagamento, ambos foram liberados.
A Fundação Carlos Chagas informou que o participante foi eliminado do concurso com base nas regras previstas no edital. O item 7.20 estabelece exclusão imediata em casos de utilização de aparelhos eletrônicos, comunicação com terceiros ou qualquer meio ilícito durante a realização da prova.
Em nota, a banca afirmou que os procedimentos de segurança adotados permitiram identificar a tentativa de obter vantagem indevida durante a aplicação do exame.
Segundo o Infomoney, a Secretaria da Economia de Goiás também informou que o episódio foi tratado como caso isolado e afirmou que os protocolos de segurança previstos para o concurso foram mantidos durante toda a aplicação da prova, incluindo detectores de metais, fiscalização contínua e armazenamento obrigatório de eletrônicos em envelopes lacrados.