Caieiras realiza nesta quinta-feira, 29/01/2026, às 19h, uma audiência pública na Câmara Municipal para cobrar explicações da Sabesp depois de moradores relatarem aumento nas faturas logo após a troca de hidrômetros, com efeito imediato no orçamento doméstico.
O que inflamou o debate não foi falta d’água nem obra na rua: foi a conta chegando “fora do tom”. Em bairros diferentes, moradores dizem que a rotina não mudou, mas o valor subiu de um mês para o outro.
Muitos situam o começo do problema exatamente no período em que o medidor foi substituído, e aí a sensação vira quase física: se o consumo não mudou, por que a cobrança mudou?
Quem chega à Câmara costuma levar provas: contas antigas e recentes, fotos da leitura e protocolos de atendimento. O gesto é simples, mas poderoso: colocar duas faturas lado a lado e perguntar, olhando nos olhos, o que mudou de verdade.
“Eu só quero que expliquem como essa conta subiu. Aqui dentro de casa nada virou ‘indústria de água’”, disse uma moradora que pediu para não ter o nome divulgado.
A troca de hidrômetros pode trazer precisão maior — e, com ela, revelar consumo que antes passava despercebido. Também pode acender dúvida quando o número não conversa com a realidade do imóvel.
Para complicar, janeiro começou com reajuste tarifário de 6,1106%, em vigor desde 01/01/2026, e a população passou a colocar tudo no mesmo balaio: tarifa, medição e possíveis falhas.
O que aparece na discussão Como conferir em casa O que levar Troca de hidrômetro Anotar leitura e número do medidor Foto do medidor e da leitura Consumo em m³ Comparar volume, não só valor 3 a 6 contas anteriores Reajuste de 6,1106% Ver data e faixa tarifária Conta de dez/2025 e jan/2026A audiência foi convocada para que a Sabesp explique leitura, cobrança, prazos e quando cabe revisão. Vereadores devem ouvir casos individuais, mas a cobrança central é por regra clara: o que o morador faz, em quanto tempo recebe resposta e como a concessionária corrige o que estiver errado.
Na prática, a contestação que costuma andar mais rápido é a que vem organizada. Funciona chegar com uma linha do tempo curta: data da troca do medidor, valores antes e depois, consumo em m³, protocolo aberto e resposta recebida — ou a ausência dela.
Existe um fator que derruba muita tese em segundos: vazamento. Com tudo fechado, observe o hidrômetro por alguns minutos; se o ponteiro mexer, tem água correndo em algum ponto da casa, mesmo sem barulho ou sinal aparente.
O caso de Caieiras escancara um tema que vai além do boleto: confiança. Quando a conta não faz sentido para quem paga, a cobrança vira crise, e a vida comum — banho, louça, quintal — passa a ser vivida com medo do próximo envelope.