O governo Donald Trump voltou a colocar o tema dos fenômenos aéreos não identificados no centro do debate público americano após divulgar, na sexta-feira (8), dezenas de documentos federais relacionados a investigações sobre OVNIs e possíveis sinais de atividade não identificada observada por militares, pilotos e astronautas ao longo das últimas décadas.
Parte relevante do material envolve relatos registrados durante missões do programa Apollo, principal projeto espacial da Nasa durante a corrida espacial contra a União Soviética. Os documentos incluem registros operacionais, fotografias e depoimentos de astronautas que participaram das viagens tripuladas à Lua.
A Apollo 12, responsável pelo segundo pouso humano no satélite natural da Terra em novembro de 1969, aparece em um dos episódios mais comentados da nova leva de arquivos. Segundo os registros divulgados, o astronauta Alan Bean relatou ter observado partículas brilhantes e flashes luminosos “navegando pelo espaço” e “escapando da Lua” enquanto utilizava instrumentos ópticos dentro da espaçonave.
Os arquivos reforçam que os fenômenos foram classificados como “UAP”, sigla em inglês para “Fenômenos Anômalos Não Identificados”. O termo passou a substituir oficialmente a expressão “OVNI” dentro do governo americano nos últimos anos.
Os documentos também trazem novos detalhes sobre ocorrências registradas durante a Apollo 17, última missão tripulada do programa lunar americano, realizada em dezembro de 1972.
Segundo os relatos presentes nos arquivos federais, o astronauta Ronald Evans descreveu a presença de “partículas ou fragmentos muito brilhantes” flutuando ao redor da cápsula enquanto a nave realizava manobras no espaço. O também astronauta Jack Schmitt afirmou ter observado o mesmo fenômeno e comparou a cena a fogos de artifício do feriado de independência dos Estados Unidos, conhecido como “Quatro de Julho”.
Um dos registros divulgados mostra três pontos luminosos fotografados durante a Apollo 17, descritos pelos astronautas como fragmentos triangulares extremamente brilhantes visíveis no espaço.
Outro trecho dos documentos menciona um relato do comandante Eugene Cernan. Segundo o material divulgado pelo Departamento de Guerra, ele afirmou ter observado rastros luminosos intermitentes enquanto tentava dormir dentro da nave. Em seguida, relatou a presença de uma luz intensa piscando diante de seus olhos, comparando a intensidade ao farol de uma locomotiva.
Os registros apontam que Cernan continuou observando fenômenos rotativos durante cerca de três horas. O astronauta teria avaliado que os objetos pareciam físicos e não apenas efeitos ópticos causados por reflexos internos da cabine.
Além dos relatos escritos, os arquivos publicados incluem fotografias feitas por astronautas durante as missões Apollo. Algumas imagens receberam ampliações posteriores realizadas por técnicos do governo americano para destacar pontos luminosos considerados incomuns.
Em nota oficial, o Departamento de Guerra afirmou que os casos divulgados permanecem “não resolvidos”, destacando que o governo americano ainda não possui explicação conclusiva para parte dos fenômenos registrados.
O comunicado também afirma que novas análises serão feitas em parceria com especialistas civis e empresas privadas. Segundo a pasta, relatórios adicionais sobre casos considerados solucionados poderão ser publicados separadamente nas próximas semanas.
A publicação dos arquivos ocorre meses após Donald Trump ordenar oficialmente a abertura de documentos federais ligados a “vida alienígena”, “fenômenos aéreos não identificados” e registros históricos relacionados a OVNIs.
Na época, Trump afirmou que a população americana deveria ter acesso aos materiais mantidos sob guarda do governo federal. O Departamento de Guerra aproveitou a divulgação para afirmar que a atual gestão promove “transparência sem precedentes” sobre o tema.
O comunicado ainda faz críticas indiretas a administrações anteriores, acusadas de desacreditar relatos envolvendo objetos voadores não identificados ao longo das últimas décadas.
Segundo o G1, enquanto isso, o governo americano confirmou que novas levas de documentos sobre UAPs continuarão sendo liberadas nas próximas semanas, incluindo relatórios históricos, imagens militares e registros produzidos por agências federais de inteligência e defesa.