Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo revelou nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, no Sambódromo do Anhembi, as notas que definiram a campeã do Grupo Especial após dois dias de desfiles que mobilizaram a capital. A leitura voto a voto consolidou o resultado apresentado na avenida na sexta (13) e no sábado (14) e redesenhou o topo da folia paulistana.
A cada envelope aberto, a arquibancada silenciava. Dirigentes faziam contas no celular, integrantes se abraçavam antes mesmo de saber o resultado final. A apuração, organizada pela Liga-SP, segue um roteiro conhecido, mas nem sempre compreendido por quem acompanha só pela TV. São 9 quesitos, todos com peso igual, e em cada um deles a menor nota é descartada — detalhe que já mudou campeonato no passado.
Cada escola é avaliada em:
Em cada quesito, quatro jurados atribuem notas de 9 a 10, com variações em décimos. A menor é descartada. Na prática, a pontuação máxima após o descarte chega a 30 pontos por quesito. Parece simples. Não é. Um 9,9 pode custar um título.
Antes da abertura oficial, duas escolas já começaram em desvantagem. A Rosas de Ouro perdeu 0,5 ponto por penalidade administrativa. A Camisa Verde e Branco iniciou com -0,2. Em um cenário de empate frequente, qualquer fração vira protagonista.
Escola Punição Inicial Rosas de Ouro -0,5 Camisa Verde e Branco -0,2No quesito Evolução, cinco agremiações atingiram a nota máxima de 30 pontos: Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel e Tom Maior. O quesito avalia fluidez, ocupação da pista e cumprimento do tempo regulamentar. Um desfile travado ou corrido demais costuma aparecer na planilha.
Na outra ponta, Camisa Verde e Branco e Mocidade Unida da Mooca fecharam com 29,4. Diferença mínima, impacto máximo.
Em Samba-enredo, quase todas alcançaram o topo. Apenas Rosas de Ouro, Barroca Zona Sul e Águia de Ouro deixaram décimos pelo caminho. O detalhe ganha peso quando a soma geral é apertada.
Já em Enredo, a Vai-Vai registrou 29,6, a menor pontuação do quesito mesmo após o descarte. É o momento em que a história contada na avenida encontra o olhar técnico do jurado. Falhas de coerência ou desenvolvimento custam caro.
A leitura das notas ocorre em ordem predefinida. Lideranças mudam durante a apuração. O clima alterna euforia e silêncio absoluto. Ao final, a escola com maior soma é declarada campeã do Grupo Especial. As últimas colocadas enfrentam o rebaixamento.
Não há voto popular. Não há critério subjetivo fora do regulamento. O que decide é número — e disciplina na execução. O Carnaval paulistano mistura emoção com régua técnica.
A cada fevereiro, a cidade revive o mesmo ritual. Fantasias são guardadas, carros alegóricos desmontados, mas os décimos permanecem na memória. A campeã de 2026 entra para a história; as demais voltam ao barracão com a planilha na mão e um objetivo claro: recuperar cada fração perdida.